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Prevenir o consumo de álcool junto das crianças - prioridade reforçada nas II Jornadas de Alcoologia, em Sesimbra


O consumo de aditivos em crianças e adolescentes são uma preocupação do Projecto Escola Saudável do Agrupamento de Escolas de Campo Maior (PES), que tem dedicado várias mensagens neste espaço a esta temática. Quando abordámos os comportamentos de risco dos nossos adolescentes, referimos que o consumo de álcool é uma "realidade camuflada" numa Lei (incoerente em termos de idade de permissão com a Lei do tabaco - a do álcool impõe uma idade mínima de 16 anos e a do tabaco uma idade mínima de 18 anos - e que deveriam estar equiparadas com a maioridade), que além de outras lacunas, peca também por uma fiscalização deficiente das entidades competentes, que dá uma relativa impunidade a quem vende álcool a crianças e menores de 16 anos. Basta sair à noite, especialmente ao fim de semana, para em qualquer localidade (e não só na nossa) constatarmos este facto. E cada vez mais, o consumo regular de álcool se inicia em mais tenra idade. 

Terminaram ontem (17 de Junho) Em Sesimbra,  as II Jornadas de Alcoologia e o I encontro de Tabacologia (programa: http://www.jasfarma.com/my.files/uploads/Programa_2jornadas_alcoologia.pdf) organizadas pelo Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa. 

Como síntese de dados significativos destas jornadas, transcrevemos aqui um artigo da LUSA/SAPO, que relata opiniões de especialistas que estiveram presentes no evento:

Prevenção do Consumo de Álcool nas crianças

A prevenção do consumo de álcool pelos jovens exige programas mais eficazes que sejam implementados antes de se iniciar o consumo,  referiu o psicólogo clínico do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT), Raul Melo, que salientou a necessidade de se criarem programas de prevenção mais eficazes e dirigidos aos jovens até aos 13 anos.
Raul Melo justificou a proposta com o facto de os programas de prevenção desenvolvidos antes de se iniciarem os consumos apresentarem quase sempre melhores resultados do que aqueles que se destinam às pessoas que já são consumidoras, ao mesmo tempo que advertia para outras abordagens de sinal contrário.
“A escola pode estar a fazer um trabalho fantástico [de prevenção], mas o bar ali ao lado faz ‘happy-hour’ às seis da tarde”, disse, lembrando que também há quem faça tudo para persuadir os jovens a consumirem álcool.
Raul Melo foi um dos oradores no painel sobre o ‘Uso e Abuso do Álcool na Sociedade Actual’, em que se falou das ‘Acções no Âmbito da Prevenção’, ‘Os Media e o Álcool’ e ‘Novos Padrões de Consumo de Álcool’.
Para o psiquiatra José Francisco de Matos, do Hospital dos Capuchos, na origem dos novos padrões de consumo de álcool estão, muitas vezes, as mensagens que todos nós enviamos às crianças.
“O que ensinamos às crianças é que os adultos bebem vinho ou cerveja, que eles [as crianças] podem ‘substituir’ por coca-cola ou por sumos. A água, quando muito, é para beber nos intervalos das refeições”, disse.
“A crianças aprendem que o álcool faz mal à saúde, mas depois aceita-se que os jovens festejem um êxito com consumo de álcool em excesso”, acrescentou.
Preocupado com o aumento do consumo de álcool entre os jovens, José Francisco Matos advertiu para as consequências que esta nova realidade poderá ter para as jovens mulheres, que, neste domínio, têm comportamentos cada vez mais idênticos aos dos jovens do sexo masculino.
“O comportamento [consumo de álcool em excesso] é igual, mas a vulnerabilidade das mulheres é muito maior”, frisou, lembrando a especificidade do corpo da mulher, em que o excesso de consumo de álcool favorece a produção de “mais tecido adiposo” e apresenta um maior risco de contrair doenças como a cirrose.
José Francisco Matos referiu ainda que muitos jovens “encontraram uma nova forma de emagrecimento”, porque o álcool ajuda a diminuir a dor provocada pela fome, mas considerou que se trata de uma realidade que também vai ter consequências graves.
“Se o problema do álcool é complicado, a anorexia alcoólica mais complicada é”, sentenciou.
Escolha: mensagem certa ou errada? 
Na discussão sobre ‘Uso e Abuso do Álcool na Sociedade Actual’, ficou ainda a recomendação da jornalista Marina Caldas, que falou sobre ‘Os Media e o Álcool’, para defender a necessidade de mais prevenção, não através dos programas informativos e dos jornais, mas das telenovelas, como já se faz em algumas portuguesas e, principalmente, nas brasileiras.“Os brasileiros perceberam que podiam passar a mensagem através das novelas”, disse.
A SOLUÇÃO TAMBÉM PASSA POR SI. 
A PROMOÇÃO DA SAÚDE DOS JOVENS E CRIANÇAS
 É UMA RESPONSABILIDADE UNIVERSAL.

Álcool mata 2,5 milhões de pessoas por ano de acordo com relatório da OMS



O consumo de aditivos, nomeadamente, o consumo de álcool na adolescência é uma das preocupações e áreas prioritárias do Projecto Escola Saudável do Agrupamento de Escolas de Campo Maior (PES) na promoção de hábitos saudáveis na comunidade educativa. 

O consumo de álcool é muitas vezes escamoteado e ignorado, para não dizer aceite de forma dissimulada pela sociedade, o que leva a que tome proporções graves com o passar do tempo. Se compararmos a Lei do tabaco (consumo igualmente preocupante) com a Lei do álcool, representando o consumo destes dois aditivos um problema grave de saúde pública, a discrepância "salta à vista" logo na idade de permissão para compra legal: o tabaco só pode ser vendido a maiores de 18 anos, mas as bebidas alcoólicas já podem ser vendidas a quem tiver 16 anos (embora seja de conhecimento geral, por vezes até dos familiares, que alguns ainda menores de 16 anos frequentam os bares e cafés e consomem álcool, sendo uma infracção com punição prevista na lei a quem o permite).


Quando o alcoolismo surge, ninguém tem (ou não quer ter) noção de como começou... apenas surgiu... como que por magia... como  uma fantasia, que de repente, se tornou de forma inesperada em realidade. A verdade hipócrita, é que muitos "acham piada" nos outros, mas ninguém quer tal em casa!

A realidade é que o consumo de bebidas alcoólicas mata e... MUITO! Morrem mais pessoas devido ao consumo de álcool do que devido à SIDA. Isto, sem estarem contabilizadas causas indirectamente relacionadas com o alcoolismo, como suicídios e consequências advindas de comportamentos de risco aquando o indivíduo estava ébrio. Actualmente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) associa 60 doenças ao consumo de álcool.

O relatório da OMS, divulga que as mortes associadas ao consumo de álcool representam cerca de 4% das mortes globais, sendo o equivalente a mais do que 2,5 milhões de pessoas por ano. As principais causas são acidentes (de viação, de trabalho, domésticos e outros), cancro, doenças cardiovasculares e cirrose.

 Na maioria dos países, o consumo de álcool nos últimos anos manteve-se em vez de diminuir e constatou-se que incide em taxas etárias muito novas, sendo muitas vezes, a idade de 15 anos, a idade média de início do consumo regular de bebidas alcoólicas. As novas rotinas de diversão são uma preocupação. Tendem a  ingerir grandes quantidades de álcool em pouco tempo, sendo um dos comportamentos mais danosos. 

O consumo excessivo de álcool é um problema social, transversal, e de saúde pública. Todos temos obrigações morais neste confronto.

Fontes:

Para saber mais:

Tratamento de alcoolismo:

COMPORTAMENTOS DE RISCO NA ADOLESCÊNCIA

A adolescência, é quase por definição, uma idade de riscos e exageros, em que alguns casos, podem trazer graves consequências para o resto da vida. Os comportamentos de risco proliferam em "cada esquina", principalmente, em grandes centros urbanos. É a idade das experiências e das inexperiências, da inconsciência, das aparências e das ilusões, que por vezes levam a um desaparecimento precoce de quem já pensa estar em idade adulta. É a idade dos apelos e das tentações e... o mercado... sabe disso. Aliás, sempre soube.

No jornal Público foi publicado um artigo que retrata uma actividade de sensibilização e prevenção do consumo de substâncias psicoactivas, nomeadamente, do álcool, junto da população adolescente. Esta acção foi desenvolvida pelo médico psiquiatra,  Luís Patrício, ex-director do centro das Taipas, que andou no terreno com um kit de prevenção, que consiste numa mala metálica com cerca de 15 quilos de diversos materiais, que transportou durante a noite de passagem de ano, para explorar junto de jovens adolescentes que se divertiam "bebendo uns copos", desmistificando algumas falsas ideias comuns à generalidade.

A venda de álcool em Portugal é proibida a menores de 16 anos, mas o Projecto Escola Saudável (PES) do Agrupamento de Escolas de Campo Maior, tal como a maioria da população, incluindo os Encarregados de Educação, tem consciência que a percentagem de jovens que experimentam o consumo de álcool antes desta idade atinge proporções elevadas. Dados recentes revelados por Augusto Pinto, da Unidade de Alcoologia de Coimbra do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT) indicam que cerca de 80 por cento dos jovens com 15 anos consomem bebidas alcoólicas em Portugal.  O Dr. João Goulão, presidente do Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT) reconhece o dificuldade de uma fiscalização eficaz à venda e consumo de álcool por menores de 16 anos, especialmente em bares e discotecas. Se estes factos são do conhecimento geral, então todos temos responsabilidades e obrigação de agir, não comentando apenas: -"Sempre foi assim!" 

Neste artigo, além da descrição desta acção, são também referidos aspectos pertinentes que são transversais à maioria e dos quais é possível retirar algumas conclusões. São mencionados dados que deveriam ser do conhecimento de todos e, especialmente, dos técnicos que aconselham, mas que muitos desconhecem, como por exemplo as doses associadas a patamares de risco.

O papel dos pais e encarregados de educação é fundamental e não foi descurado, bem como o dos professores e restantes educadores.

Este artigo é de leitura obrigatória.

Veja o vídeo desta acção nocturna em: 



Fontes: